Monday, October 30, 2006

Mestre , meu mestre querido!

MESTRE, meu mestre querido!
Coração do meu corpo intelectual e inteiro!
Vida da origem da minha inspiração!
Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida?

Não cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem de nada,

Alma abstrata e visual até aos ossos,

Atenção maravilhosa ao mundo exterior sempre múltiplo,

Refúgio das saudades de todos os deuses antigos,

Espírito humano de terra materna,

Flor acima do dilúvio da inteligência subjetiva...

Mestre, meu mestre!

Na angústia sensacionista de todos os dias sentidos,

Na mágoa quotidiana das matemáticas de ser,

Eu, escravo de tudo com um pó de todos os ventos,

Ergo as mãos para ti, que estás longe, tão longe de mim!

Meu mestre e meu guia!

A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou,

Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente,

Natural como um dia mostrando tudo,

Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade.

Meu coração não aprendeu nada.

Meu coração não é nada,

Meu coração está perdido.

Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu.

Que triste a grande hora alegre em que primeiro te ouvi!




By Fernando Pessoa


Este texto é um excerto de uma ode do grande mestre e é dedicado a outro grande poeta portugues Cesário Verde.

É um dos meus preferidos... E acho q é dos melhores textos para se dedicar a um/a Mestre.




4 comments:

TheLadySub said...

Adorei o texto Fernando Pessoa é genial e tu tens muito bom gosto fizeste uma boa escolha no texto e la diz muita coisa que tem a ver comigo beijos

sérgio alcântara said...

Mestre que é Mestre, merece!

Anonymous said...

Pessoa tem encanto e tu tens alma, Menina do Luar
Joao de Aviz

Anonymous said...

O Mestre de que Pessoa fala é Alberto Caeiro, não Cesário Verde.
Outra das peculariedades do grande beberrão: tornou-se discípulo da sua própia invenção... Kinky?

Mr. C.

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