Friday, June 06, 2008

Sobre a morte e mais algumas coisas

Fez um mês esta semana que a minha mae morreu.
Esta semana foi um bocado dificil... Até porque para ajudar à festa ela hoje faria 50 anos. E ja tinhamos pensado numa festinha para comemorar o numero assim tao redondo - sempre é meio seculo!
Não perco tempo a pensar, nem quero que agora fiquem vcs a pensar que este blog se vai dedicar à minha dor ou uma merda qq assim parecida. O facto é que esta merda aconteceu... Nao tenho o habito de falar nisto mas porra! Nao aguento mais!
É tudo tão estranho...
É msm estranho... Pensar que nunca mais vamos voltar a ver alguém... ou ouvi-la...
Msm estranho...

E agora nao estou a falar por causa das saudades que vou ter dela...
Que me desculpem os hipocritas... mas foda-se... como processar esta sensação de alivio? Esta estranha sensação de alivio que graças a uma ferrenha educação católica se transforma em culpa num fechar de olhos... ("Nao digas isso que é pecado!!")
É pá! Tudo bem que a dor é mto grande... Mas nao ando p'raí sempre a chorar...
E sim, é obvio que me custa saber que ela se foi...

O que eu tenho para aqui é uma mistura tão grande de sentimentos...
Dá-me raiva quando as pessoas vêm falar comigo...
" Ai! Tadinha! Que sofreu tanto..."
Merda para essa gente toda!

Devem haver pouca mulheres que tenham curtido tanto como a minha velhota... Sempre em cima do fio da navalha :)
E acho que o que fica é msm só isto...
As saudades das conversas a bem e até bem engraçadas...
A cena de uma começar uma frase e a outra acaba-la...

Nao posso também deixar de pensar no que dizia o nosso Virgilio Ferreira n'A Aparição:
" – Todos os mortos se fazem rogados – explicou-nos. – Então a gente pede e eles dão um jeito. Céus! Onde a minha repugnância? Tudo me esqueceu. Corpo morto, carne morta. Como as pedras. Trabalho com aplicação, quase com gosto. As calças, a camisa, sapatos de verniz – os sapatos é o António quem lhos calça. Eis-te pronto, meu velho, para a grande viagem. Estás sereno, a face gravada de doçura, de perdão a tudo, à vida, à morte. E uma comoção lenta humedece-me os olhos. Vou até ao meu quarto, abro as janelas para a noite. Então bruscamente ataca-me todo o corpo, as vísceras, a garganta, o absurdo negro, o absurdo córneo, a estúpida inverosimilhança da morte. Como é possível? Onde a realidade profunda da tua pessoa, meu velho? Onde, não os teus olhos, mas o teu olhar? Não a tua boca, mas o espírito que a vivia? Onde, não os teus pés ou as tuas mãos mas aquilo eras tu e se exprimia aí? Vejo, vejo, céus, eu vejo aquilo que te habitava e eras tu e sei que isso não era nada, que era um puro arranjo de nervos, carne e ossos agora a apodrecem. Mas o que me estrangula de pânico, me sufoca de vertigem é teres sido vivo, é tu estares ainda todo uno para mim, na memória do teu riso, no tom da tua voz, que era lente, sossegada, nas ideias que punhas a viver entre nós, na realidade fulgurante de seres uma pessoa. "
Pois é...
E bem, a minha cota ainda cá deixou marcas da sua passagem...
Compete-me a mim e a todos nós tentar fazer o msm.
Deixar a n/ marca neste mundo.
Tenho medo de me esquecer de alguém que ja conheci e que ja morreu...

E definitivamente... Não quero que me aconteça o mesmo...
Não quero ficar esquecida...

2 comments:

Sergio C. said...

.. e não o será, sem qualquer dúvida.

Beijo enorme

sérgio alcântara said...

so pelo que escreveste aqui já percebi que nao sera esquecida...
beijo grande

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